Quando se fala em carreira na área de tecnologia, logo surgem diversas linguagens,  frameworks, plataformas (...) que são necessários para se tornar um bom profissional.

De fato, tudo isso é muito importante!

No entanto, o que muitos acabam esquecendo é que não apenas de conhecimento técnico, também conhecidos como hard skills, se faz um bom profissional.

Por isso, vamos falar sobre as habilidades tão importantes no atual contexto do mercado de trabalho: as Soft Skills!

Para você ter ideia da sua importância, uma pesquisa divulgada pela Harvard, Stanford e Fundação Carnegie gerou a seguinte descoberta:

“Habilidades técnicas e conhecimentos correspondem a cerca de 15% da razão pela qual alguém consegue, mantém e avança no trabalho. Os outros 85% são baseados em soft skills.”

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Afinal, o que são soft skills?

Muitos definem Soft Skills simplesmente como habilidades não-técnicas.

Exemplo: tratando-se de uma pessoa desenvolvedora front-end, conhecimentos como HTML, CSS JavaScript são tidos como técnicos e necessários para este profissional.

Porém, é preciso ir além disso!

Para a nossa facilitadora de Soft Skills, Fernanda Sousa, essas habilidades têm total relação com a forma com que você, profissional, lida com as emoções, sejam elas próprias ou de terceiros.

Ou seja, as Soft Skills têm relação direta com a Inteligência Emocional! Aliadas às habilidades técnicas, podem formar profissionais excepcionais.

Agora que você entendeu a importância dessas habilidades, iremos falar sobre algumas delas, separadamente. Vamos lá?

Autoconhecimento e Inteligência emocional

Qual é a importância de nós nos conhecermos? 🤔

É só lembrar da famosa frase do gato de Alice no País das Maravilhas: “para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”.

Trazendo esta frase para o contexto do autoconhecimento: quando nós não nos conhecemos muito bem, qualquer trajetória acaba servindo, e isso pode ser um problema.

Podemos, então, definir o autoconhecimento como uma percepção clara acerca da sua personalidade, incluindo forças, fraquezas, pensamentos, crenças e limitações.

Agora, vamos ao segundo conceito: o que é a famosa inteligência emocional? Daniel Goleman, considerado o pai da Inteligência Emocional, a definiu como:

“A capacidade que um indivíduo tem de identificar os seus próprios sentimentos e os dos outros, de se motivar e de gerir bem as emoções internas e nos relacionamentos.”

Bem parecido com o conceito de Soft Skills que vimos no começo deste artigo, não é? Por isso, existe uma corrente de pessoas que acreditam que estes conceitos são praticamente sinônimos.

Segundo Goleman, a Inteligência Emocional é baseada em 5 principais pilares:

  • Autoconsciência;
  • Autorregulação;
  • Automotivação;
  • Empatia;
  • Habilidades sociais.

Diante destes conceitos, podemos concluir, então, que o autoconhecimento está inserido na Inteligência Emocional!

Gestão de tempo

Quando falamos em gestão de tempo, alguns dos principais problemas enfrentados pelas pessoas são:

  • Procrastinação;
  • Não saber priorizar atividades;
  • Comprometer-se com muitas tarefas e não ter tempo para executá-las.

Existem algumas ferramentas e dicas que você pode utilizar para gerenciar melhor o seu tempo.

A primeira dica é: priorize o que realmente importa. Já que o dia tem 24 horas para todas as pessoas, a discussão é muito mais sobre a gestão de prioridades do que gestão de tempo.

Pessoas que são reconhecidas por gerirem bem o seu tempo são, na verdade, aquelas que sabem priorizar o que realmente é importante.

Inclusive, é válido dedicar de 15 a 20 minutos da jornada de trabalho para estruturar o dia, elaborar uma lista de atividades e definir o que precisa ser feito (e em qual ordem).

Uma ferramenta excelente que pode te ajudar nesta definição diária é a matriz de Eisenhower (imagem abaixo). Através dela, você irá categorizar as suas atividades de acordo com a sua importância e urgência.

A segunda dica é: organização e gestão de tempo são irmãs siamesas.

Isto quer dizer que, quando uma está presente, a outra também precisar estar! Para não passar sufoco, é importante organizar as suas atividades – listá-las, descrevê-las, prever a duração de cada uma e estabelecer datas-limite.

Para isso, existem algumas ferramentas bem bacanas, como Trello, Notion, Google Agenda, Evernote ou, até mesmo, a boa e velha agenda física.

Vamos a terceira dica: aprenda a dizer não!

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Muitas vezes, o medo de negar certas demandas que nos são solicitadas se relaciona com a dificuldade que temos de demonstrar os nossos limites.

Às vezes, é necessário dizer não! Caso contrário, ficaremos sobrecarregados, levaremos trabalho para casa e até deixaremos de executar da forma que gostaríamos.

Por fim, a quarta dica é: saiba pedir ajuda.

Está tudo bem em admitir que não está conseguindo dar conta de tudo. Não somos invencíveis sempre! Em um dia, nós somos ajudados; no outro, podemos estar ajudando alguém. Tudo isto faz parte do trabalho em equipe.

Comunicação

A comunicação foi listada pela Forbes como uma das 6 soft skills mais procuradas no mercado.

Esta é uma das competências com as quais somos bastante familiarizados, afinal, desde a infância iniciamos o processo de nos comunicarmos.

Porém, o fato de termos contato com esta habilidade desde muito cedo não significa que todas as pessoas possuem uma comunicação eficaz.

De acordo com o The Economist, diversas são as causas da má comunicação no trabalho:

  • Responsabilidades pouco claras;
  • Pressões de tempo;
  • Falta de liderança forte;
  • Diferenças pessoais entre colegas;
  • Diferentes estilos de comunicação.

Mark Murphy, um estudioso da área de comunicação, define que existem 4 estilos de comunicação:

  • Pessoal: a pessoa valoriza a conexão, o sentimento e a linguagem emocional na hora de se comunicar.
  • Analítico: muito mais focado em números, dados, fatos. Quem utiliza esse estilo de comunicação detesta conversas vagas e sem propósito.
  • Intuitivo: os adeptos deste estilo são aqueles que gostam de ter uma visão ampla, e vão direto ao ponto.
  • Funcional: valoriza muitos os processos e os cronogramas, e tem grande atenção aos detalhes.

No ambiente de trabalho, é essencial identificar qual é o seu estilo de comunicação, pois a partir desta informação você percebe em quais pontos é eficiente e em quais precisa melhorar.

Além de se conhecer, outro aspecto importante no âmbito da comunicação é conhecer o seu público! Isso tem influência direta sobre a sua preparação, seja para comunicação verbal ou escrita.

Trabalho em Equipe

Quando se fala em trabalhar com  tecnologia, alguns ainda têm a falsa expectativa de tratar-se de alguém que trabalha sozinho e que não precisa lidar com outras pessoas.

No entanto, a realidade é que este é um trabalho extremamente cooperativo, em que a comunicação eficaz entre todos os membros da equipe é vital.

Os produtos digitais que tiveram mais sucesso na história foram compostos por equipes multidisciplinares, em que todos trabalhavam juntos, buscando entregar a melhor solução!

Algumas consequências de um trabalho em equipe ineficaz são:

  • Ruídos na comunicação;
  • Falta de sincronia dos trabalhos;
  • Discordância na implementação de funcionalidades entre os programadores;
  • Padrões diferentes entre uma mesma equipe.

Uma dica de ouro: faça momentos de feedback periódicos! Estes momentos estimulam reflexão e autoconhecimento, melhoram o alinhamento entre todos, desenvolve as pessoas e aumenta a qualidade da entrega final.

Negociação

Mesmo que não percebamos, essa Soft Skill permeia o nosso dia a dia.

Pode-se falar que a negociação é uma arte, uma técnica ou até mesmo uma ciência. Muitas vezes, achamos que negociar significa enganar ou fazer promessas impossíveis de serem cumpridas em nome de um objetivo, mas esta não é a essência da negociação!

A verdadeira essência da negociação é encontrar um caminho em que as duas partes ganhem!

Saber dialogar é uma parte essencial da negociação, e uma técnica bastante utilizada é a MAANA, um acrônimo para Melhor Alternativa À Negociação de um Acordo. A premissa dessa técnica é sempre encontrar um resultado em que ambas as partes se beneficiem.

Para você entender muito bem o que espera alcançar por meio de qualquer negociação, sempre se pergunte:

  • Qual seria o melhor resultado e por quê?
  • Quais resultados não seriam toleráveis e por quê?
  • Quais as condições não financeiras mínimas que você pode considerar?
  • Qual é o seu valor-base?
  • Quais concessões você poderia fazer?

É importante ter tudo isto em mente, pois assim, o leque de alternativas de resolução se amplia.

Saiba que negociar não é conseguir o que você quer a qualquer custo! Seus valores e princípios precisam estar presentes em todas as suas negociações, e devem ser irrenunciáveis!


Viu só como as Soft Skills são habilidades complexas e que demandam prática?

Mas não precisa desanimar, pois é possível aprender a desenvolvê-las e identificar os seus pontos de melhoria.

Por isso, nos cursos da Cubos Academy, sempre inserimos Soft Skills em nossa ementa! 😉